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Olivier Ameisen, um conceituado pesquisador contemporâneo na área da saúde, "alega que ele mesmo conseguiu abandonar o vício [de bebidas alcoólicas], usando uma droga hoje receitada para relaxar os músculos chamada baclofen."(1) Todavia, muitos especialistas mantêm o ceticismo, advertindo para o perigo que está por trás das chamadas "curas milagrosas" para o problema do alcoolismo.
Entre 1997 e 1999, Ameisen passou um total de nove meses confinado em clínicas para alcoólatras, mas nada funcionou. Em março de 2002, ele começou a testar a droga em si mesmo com doses diárias de cinco miligramas. Quase imediatamente, passou a sentir menos vontade de beber. Gradualmente, aumentou para a dosagem máxima de 270 mg e, então, se viu "curado". Hoje, usa, de 30mg a 50 mg por dia. Contudo, sobre isso, Alain Rigaud, presidente da Associação Nacional para a Prevenção do Alcoolismo e da Dependência da França e Michel Reynaud, membro do hospital Paul-Brousse, em Paris, "temem que a badalação da mídia, a respeito do "remédio" de Ameisen, esteja ofuscando a complexa natureza do alcoolismo."(2)

Uma droga alucinógena, popular na década de 60, pode ajudar cientistas a encontrar um tratamento para o alcoolismo. A hipótese é de um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia. "De acordo com os cientistas, pesquisas feitas com ratos, utilizando ibogaína, mostraram que a substância foi capaz de bloquear o desejo de consumir álcool, por meio do estímulo a uma proteína cerebral." (3) Estudos feitos, recentemente, sobre o uso do topiramato em voluntários alcoólatras, revelaram que essa droga, comumente usada no tratamento da epilepsia, melhora a saúde geral e reduz o desejo de beber - "embora seus efeitos colaterais preocupem o especialista britânico em psiquiatria do vício, Jonathan Chick, do Royal Edinburgh Hospital, afirmam que os resultados são positivos, especialmente os dados que mostram melhoria na saúde." (4)

Como podemos entender o vício? Para mim, é toda dependência química ou psíquica geradora de solicitudes insustentáveis, capazes de levar o dependente a repetir, incessantemente, a ação que sacia, temporariamente, essa "aflição." (5) Geralmente, decorre de uma ação repetitiva, que nem sempre proporciona prazer imediato, mas, que, ao longo do tempo, torna-se objeto de necessidade exarcebada, inconveniente e prejudicial ao indivíduo. Pode ser visto como uma forma equivocada de compensar, superficialmente, algo que deveria estar sendo preenchido interiormente, no íntimo da pessoa. Seja como for, as raízes dessas disfunções estão no passado, quer seja hereditariamente, quer seja espiritualmente, em decorrência de experiências infelizes, remanescentes de pregressas existências. Explica o Espírito Victor Hugo que "no estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade. A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece. Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído. "(6) Vale ressaltar que "ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos, a exemplo, da Sindrome de Down, da hidrocefalia, da paralisia, da cegueira, da epilepsia secundária, do idiotismo, do aleijão de nascença desde o berço." (7) Como percebemos, a Doutrina Espírita adverte sobre essa influência espiritual, oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício. "O viciado em álcool quase sempre tem a seu lado entidades inferiores que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas." (8)

Para o dependente do álcool, a deterioração física, mental e social é evidente. Basta observar a figura ictérica, inchada, sem controle dos esfíncteres, perambulando pelas ruas, vítima de tremores, de delírios e alucinações, capaz de beber desodorante, álcool etílico, combustível, perfume e, até, urina [porque sabe que, através dela, parte do álcool ingerido será eliminada]. Surge a cirrose hepática, como o estágio final dos danos causados pelo álcool. Essa patologia é uma forma de dano permanente e irreversível do fígado. O acúmulo de líquido no abdômen - ascite (barriga d'água), desnutrição, confusão mental (encefalopatia) e sangramento intestinal, são alguns sinais de insuficiência hepática. Provoca lesões no coração, resultando em arritmias e outros problemas como trombos e derrames conseqüentes. "Freqüentemente, as pessoas se viciam no álcool como uma forma de mascarar seus problemas. Tratar os efeitos no cérebro não vai resolver esse outro aspecto. Também não deve resolver outros problemas de saúde, como os danos no fígado." (9) Desde 2003, os Cientistas já afirmavam ter descoberto um gene importante para a explicação dos inúmeros efeitos do álcool no cérebro, e esperavam poder produzir "um medicamento que desligasse alguns dos efeitos de prazer ligados à ingestão do álcool, e talvez tentar combater o alcoolismo com remédio."(10) Não deu certo!

Para o psicanalista Luis Alberto Pinheiro de Freitas, autor de "Adolescência, família e drogas" (Editora Mauad), "a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção:- Há o mito de que a maconha leva os jovens a outras drogas. Mas é o álcool que faz esse papel. E a própria família incentiva o consumo. Tenho pacientes, diz Alberto, que começaram a beber quando o pai, orgulhoso do filho que virava homem, os chamava para drinques." (11) Outro especialista, Frederico Vasconcelos, atesta que o "álcool gera uma doença de longa evolução (dez anos em média) e o abuso entre jovens os leva a drogas maiores: - Uma delas é o ecstasy, encontrado em dois tipos de pastilha: a MAP (meta-anfetamina) e a MDMA (metil-dietil- MA), esta com propriedades alucinógenas e ambas vendidas nas boates da Zona Sul e da Barra da Tijuca. O adolescente se expõe hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool." (12)

Sabemos que tudo se inicia no primeiro gole. Depois, vem a necessidade do segundo, do terceiro e o alcoolismo se instala em nossas vidas. A sede, o sabor, a oportunidade social, as comemorações, a obrigatoriedade em aceitar um drinque oferecido por um "amigo" são as muitas desculpas, nas quais nos apoiamos para ingerir as doses que, mais tarde, serão letais. Precisamos estar atentos para não cometer exageros, abusos, e não resvalar por esse "hábito social", que pode terminar por nos condicionar a ele e nos transformar num trapo de gente, num farrapo humano. Ressalte-se que os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. 

O que se vê nos hospitais, durante a autópsia do cadáver de um alcoólatra crônico, é algo horripilante. O panorama interno do cadáver pode ser comparado ao de uma cidade completamente destruída por um bombardeio atômico. Mudam-se os tipos de bebidas: das mais populares, ao alcance do trabalhador braçal, às mais sofisticadas, para os homens de "status". No entanto, o costume é o mesmo, os prejuízos, iguais. Em verdade o alcoolismo possui um forte estigma social. O número de casos ligados ao abuso de álcool, atendidos nos hospitais na Inglaterra, mais que dobrou nos últimos anos. "Em 2007, houve 207.800 admissões hospitalares vítimas do álcool, comparadas com 93.500 em 1996, segundo um relatório divulgado, recentemente, pelo "Centro de Informação do NHS (National Health Service), o serviço público da saúde do país." (13) Desse total, 57.142 casos tiveram, como causa direta, o abuso de álcool, como embriaguez profunda, dependência, cirrose e intoxicação aguda. "O estudo revelou, ainda, que 9% desses casos envolveram jovens com menos de 18 anos e 30% dos adolescentes de 15 anos consideram aceitável ficar bêbado pelo menos uma vez por semana." (14)

Apesar dos danos que o Álcool provoca na estrutura fisiopsicossomática, existem aqueles especialistas que alegam que "o corpo físico necessita de pequenas quantidades dele". Ledo engano! Isso é, veementemente, contestado pelos Drs. Edgar Berger e Oldmar Beskow, no livro intitulado: ESCRAVOS DO SÉCULO XX. Como vimos acima, o alcoolista não é somente um destruidor de si mesmo, é, também, um veículo das trevas, ponte viva para as investidas arrasadoras do mal. Joanna de Ângelis nos ensina que "a pretexto de comemorações, festas e decisões, não nos comprometamos com o hábito da bebida. O oceano é constituído de gotículas, e as praias, de inumeráveis grãos. Libertemo-nos do chavão "HOJE SÓ", e quando impelidos a comprometimentos nocivos, não encampemos o célebre desculpismo "SÓ UM POUQUINHO", porquanto uma picada que injeta veneno letal, não obstante em pequena dose, produz morte imediata." (15) (destaque meu)

No meu site, publiquei um artigo que escrevi, em 2005, que, ante o desculpismo, que procura arrazoar o hábito de beber, eis uma lenda que, um dia, li em um calendário, com frases e pensamentos orientais:

"Um homem chega ao líder de sua religião, que proíbe a bebida e indaga:

- Grande mestre, as uvas são proibidas?

- Não.

- E o suco de uva é contra a nossa religião?

- Absolutamente.

- E se as uvas fermentarem na água, seremos culpados?

- De jeito nenhum.

- Pois ao fermentar, elas produzem o vinho. Por que é pecado então bebê-lo?

- Bem, respondeu o Grande mestre, - se eu lhe atirar um punhado de terra à cabeça, não lhe farei mal algum.

- Claro!

- Se lhe jogar água misturada com terra, também não o ferirei.

- Certo!

- Mas, se eu pegar nesse punhado de terra misturado com água e o meter no forno para cozimento, transformando-o num tijolo e o atirar na sua cabeça, o que será que pode acontecer?"(16)

Vale refletir! 




FONTES:
(1) Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/12/081206_cura_alcoolismorg.shtml
(2) idem
(3) Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/01/050119_alcoolismobg.shtml
(4) Cf. revistas científicas Archives of Internal Medicine e Proceedings of the National Academy of Sciences disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/06/080610_alcoolismo_tratamentos_mv.shtml
(5) Do ponto de vista médico, o alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada.
(6) Franco, Divaldo Pereira. Calvário de Libertação - ditado pelo Espírito Victor Hugo , Salvador: 1a. Ed. ALVORADA, 1979
(7) Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, p.139-140
(8) Peres, Ney Prieto Manual prático do espírita, SP: Ed. Pensamento, 1984, p.55).
(9) Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2004/03/040312_alcoolas.shtml
(10) A pesquisa foi publicada na revista científica Cell , Cf. http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2003/12/031212_alcoholfn.shtml
(11) Alberto , Luis Pinheiro de Freitas.Adolescência, família e drogas, RJ: Editora Mauad, 2002, In Revista "Época" de 29 de julho de 2002, (Marcia Cezimbra, jornal O Globo)
(12) Disponível no site www.alcoolismo.com.br, acesso em 18-07-09
(13) http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080523_bebidajovens_mp.shtml
(14) idem
(15) Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis 1a. Ed. Ed FEB, RJ: 1983
(16) Hessen, Jorge. Artigo OS CÉLEBRES DESCULPISMOS DO "SÓ UM POUQUINHO!" "HOJE SÓ!", publicado no site http://jorgehessen.net em 14-05-05
Joanes

Cada dia corresponde a uma nova página escrita no livro da sua vida, onde você deverá escrever as melhores memórias.
Assim, quando desperte, dirija ao Infinito a sua prece. Agradeça pela noite superada e rogue ao Pai do Céu as indispensáveis bênçãos para o período começante. Eleve as vibrações da alma e entregue-se ao Senhor, totalmente.

Erga-se e alegre-se com a oportunidade de manter seu corpo físico para os empreendimentos do progresso. Busque ocupar-se com algo nobre, algo que dignifique a sua existência na Terra.
À frente dos transtornos e contratempos, que surgem nos caminhos de todos, invariavelmente, não se deixe conduzir pela irritação, pelo agastamento ou pelo azedume, procurando compreender que nada lhe ocorre sem que tenha um sentido útil para o seu crescimento geral.
Perante as ocorrências da violência e diante dos quadros de agressões que veja em sua rota, realize o melhor que possa, sem praguejamentos, sem revolta, sem desespero, porque você não está senão no mundo que fez por merecer, com as situações que caracterizam a sua quadra evolutiva e com as pessoas do seu mesmo patamar moral, com ligeiras diferenças, facilmente observáveis.
Onde esteja, semeie alegria e jovialidade, atendendo à recomendação do Apóstolo Paulo para que demos graças a Deus por todas as coisas da vida.
Busque fazer novos amigos, mantendo, com carinho, os velhos companheiros. A amizade no mundo é como o beijo solar iluminando as flores, sem o qual elas tendem a murchar e fenecer.
Alimente-se com moderação. Ao é preciso passar fome, contudo, é bom que não transforme o estômago em tonel de venenosas misturas, capazes de o intoxicar, de lhe acumular indevido colesterol nas artérias ou de lhe provocar disfunções hepáticas.
Afaste-se das pseudonecessidades alcoólicas. O álcool de que você precisa para a digestão a Divindade já fez constar do seu programa de produção orgânica. Fora disso, a ingestão dessa substância corresponderá sempre a consciente envenenamento que lhe perturbará a saúde aos poucos.
Procure ser comedido nas brincadeiras, a fim de não constranger os amigos, gerando afastamentos e inimizades, ou para não perder seu precioso tempo com intermináveis lorotas e banalidades que lhe possam prender as horas ao visco da leviandade.
Sorria, seja prazenteiro, uma vez que o Evangelho de Jesus, que você afirma conhecer, é fonte inesgotável de alegrias.
E quando chegar ao fim o seu dia, vivido com maior ou menor dificuldade, ponha-se em meditação. Verifique onde é que você poderia ter sido melhor, em que itens deveria ter agido melhor, e, sem remorsos perniciosos, faça projetos de renovação para o dia seguinte, procurando levá-los seriamente.
Ore e entregue-se uma vez mais ao Supremo Senhor, construindo, dia-a-dia, a própria felicidade, a sua própria luz.
Valorize o seu dia.
Não o desperdice remoendo mágoas ou destilando tormento, mas aprenda a cultivar a alegria de viver, apesar das lutas e limitações que carregue.
Valorize o seu tempo na Terra e prossiga, decidido pelo bem, para que, no serviço do Senhor, você continue crescendo em busca do encontro consigo mesmo.

Meditação: Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar. (Cap. XVII, item 10, segundo parágrafo, do Evangelho Segundo o Espiritismo).

(Fonte: “Para uso diário”, de J. Raul Teixeira – pelo Espírito Joanes)
Paranormalidade em Itatira

Estudantes, a maioria meninas, vivem instantes de apreensão ao entrarem em transe no Distrito de Cachoeira BR
Itatira. Um fenômeno paranormal está afetando estudantes, a maioria meninas, da Escola de Ensino Fundamental Eduardo Barbosa no Distrito de Cachoeira BR, no Município de Itatira, cidade localizada no Sertão Central a 220 quilômetros de Fortaleza. O caso está deixando as autoridades do Município sem uma explicação.
De acordo com depoimentos das vítimas os sintomas são: dores musculares, de cabeça, sufoco no sistema respiratório, no peito, palidez, calafrio, dificuldades para caminhar, náusea, paralisia muscular, aumento nos batimentos do coração, pressão alta, desmaio, inquietação e medo de morrer.


O fato está deixando o secretário de Educação de Itatira, Antônio Inácio, preocupado, pois as vítimas, segundo ele, ficam em transe, agressivas e com perda de identidade. Os jovens, entre 11 e 16 anos, depois que voltam ao normal, não conseguem lembrar nada.
Os familiares, professores e amigos das estudantes, quando estão presentes no momento do fenômeno, ficam apavorados, correm de um lado para outro e precisam agir com rapidez para carregá-las nos braços e levá-las aos hospitais mais próximos em Canindé, Lagoa do Mato e Madalena. A ocorrência começou no último dia 2 e se estendeu por toda a semana. Já atingiu 32 alunas e um estudante.

Após o transe
Após o momento de transe, as meninas se recuperam e voltam a conversar normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Para os pais, como não há um diagnóstico para o que está acontecendo, o jeito é acreditar em Deus. Para a auxiliar de serviço da instituição educacional onde se presencia o fato, Francisca Zeneide da Silva, todas as crianças que são dominadas pelo fenômeno agem da mesma forma e, ao retomarem os sentidos, não lembram nada. "Quando acontece com uma, todas ficam em pânico", conta ela.
A diretora da Escola Nazaré Guerra, Eliane Dias, situada em Lagoa do Mato, que tem um anexo funcionando na Escola Eduardo Barbosa, local onde estão ocorrendo os fatos paranormais, não esconde o medo de tudo isso e já pensa em buscar solução junto ao Estado e até mesmo um parapsicólogo. "Vamos nos reunir com as autoridades do Município para buscarmos uma solução. Está todo mundo apavorado, nunca tinha presenciado nada igual ao que vi na última sexta-feira, dia 4", disse. Ela autorizou a suspensão das aulas até que seja esclarecido o ocorrido.

Celebração
Para tentar conter o avanço do fenômeno, o padre Guilherme Afonso de Andrade Pessoa foi convidado a celebrar uma missa na própria escola. No momento de oração, o que se viu foi à repetição da cena por diversas vezes. Em uma determinada ocasião, uma aluna, Graziele da Silva, entrou em transe e mudou totalmente a voz. Houve uma grande correria. Essa é a reação que ocorre para quem presencia a cena. A adolescente dizia que estava com medo e pedia para não deixá-la morrer e chorava muito.
O padre disse que a Igreja é muito prudente em tudo. "É preciso aprofundar bem as coisas, para não dizer palavras sem nexo. A Igreja só emite opinião depois de um estudo aprofundado", disse.
O pastor evangélico, José Carlos, de Lagoa do Mato, distrito mais próximo do local dos acontecimentos, acredita que pode ser uma força espiritual que está agindo dentro da escola, já que da unidade educacional, três jovens morreram em acidentes. "Talvez eles estejam vagando precisando de reza".

TENSÃO
Estudantes relatam angústia e medo
Itatira. Para quem sofre na pele o fenômeno, conta que são momentos angustiantes. De acordo com a estudante Andréia Alves Marcolino, de 16 anos, a "perseguição deste fenômeno é de exato um mês. É tudo muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dá sede, um sufocamento toma conta do tórax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio. Quando volto ao normal, não dá para relembrar de nada", relata.
Um dos garotos que vivenciou o problema, Marlei Alves Marcolino, de 14 anos, diz que os acontecimentos acontecem em série. "Quando tudo começa dá uma dor no peito, um arrepio, uma agitação que dá vontade de correr, gritar e pedir para não morrer. A gente desmaia, perde o sentido e o que é pior fica com a voz conturbada. No dia que aconteceu comigo, a professora disse que mais seis alunas sofreram o mesmo ataque", conta.

Emoção
Outra estudante que se emociona e chega a chorar ao descrever a situação é Francisca Diana Lôbo Loiola, de 18 anos. "De imediato dá um nervosismo. Fiquei tonta, bateu um suor frio, a voz fica enrolada e grossa e a força que penetra na mente pede que reze missa e faça orações porque ele não vai ficar satisfeito enquanto não realizar a sua missão. É uma adrenalina muito forte. Estou com muito medo de voltar à sala de aula".
Antônio Carlos Alves
Colaborador
Notícia publicada no Diário do Nordeste, em 9 de junho de 2010.

Jorge Hessen* comenta
Alguns estudantes (a maioria meninas) viveram instantes de pânico ao entrarem em transe na Escola de Ensino Fundamental do Distrito de Cachoeira, no Município de Itatira, no estado do Ceará. O episódio está deixando as autoridades da localidade sem uma explicação.
Durante o transe psíquico, as jovens sentem dores musculares, de cabeça, asfixia no sistema respiratório, palidez, calafrio, dificuldades para caminhar, náusea, paralisia muscular, aumento nos batimentos do coração, pressão alta, desmaio, inquietação e medo de morrer. Após a crise, os alunos se recuperam e voltam a conversar normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Na tentativa de conter o avanço do fenômeno, um líder religioso foi convidado para orar na própria escola. Mas, no momento da preleção, o que se viu foi à repetição dos transes por diversas vezes. O religioso justificou a ineficácia de sua presença dizendo que a sua Igreja é prudente nesses casos. Para ele, é preciso analisar mais detalhadamente o fato. A Igreja só emite opinião depois de um estudo “aprofundado”. Um representante de outro credo religioso afirmou que pode ser uma força espiritual que está agindo dentro da escola, já que da unidade educacional três jovens morreram em acidentes. "Talvez eles estejam vagando precisando de reza”, opinou.
Uma das estudantes relatou que, na crise, é tudo muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dá sede, um sufocamento toma conta do tórax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio. “Quando volto ao normal, não dá para relembrar de nada", afirmou.
Estamos diante de um fenômeno mediúnico coletivo ou um surto de histeria psicótica? O médico do hospital que atendeu as jovens disse que elas chegaram apresentando histeria, gritando, debatendo-se e com comportamento agressivo. Afirmou que a histeria coletiva tem uma explicação científica. Esses fenômenos acontecem em contextos em que há muita tensão, sofrimento não-verbalizado, argumentou.
O fenômeno é uma histeria coletiva disse o clérigo. "De repente, uma aluna surtou e isso contagiou as demais garotas". Pasmem(!) O sacerdote afirmou que os fenômenos de Itatira são totalmente humanos e classificados pela parapsicologia “oscarquevediana” de "psicorragia" ou "hemorragia psíquica.(!!??...)
Obviamente, analisaremos o drama dos alunos sob a ótica espírita. A mediunidade é uma faculdade humana e pode eclodir a qualquer momento. No caso de Itatira, alguns alunos dizem ver o espírito de um aluno desencarnado, chegando a descrevê-lo,  vestido com calças de canga azul e uma camisa. Quando o “morto” aparece, os alunos (principalmente as meninas) começam a tremer, a contorcer-se, entram em transe e a partir daí o pavor toma conta delas e desmaiam.
O assunto nos remete ao mês de março do ano de 1857, quando a comuna de Morzine, situada na Alta Sabóia, leste da França,  com aproximadamente 2.500 habitantes, encontrava-se, segundo os noticiários da época, sob a influência de uma desconhecida epidemia psíquica. As autoridades francesas designaram o pesquisador Constant, para que investigasse o fato.
Após analisar os fenômenos, Constant elaborou um relatório, em cujos tópicos curiosos destacamos: “de repente sobrevêm sobre as pessoas bocejos, espreguiçamentos, tremores, pequenos solavancos nos braços; pouco a pouco, em curto espaço de tempo, como por efeito de descargas sucessivas; batem nos móveis com força e vivacidade, começam a falar, ou antes a vociferar; no transe as moças têm uma força desproporcional à idade, pois são precisos três ou quatro homens para conter, durante a mesma, meninas de dez anos; deram respostas exatas a perguntas feitas em línguas por elas desconhecidas; após a crise, as meninas não têm qualquer lembrança do que disseram ou fizeram”.
Com esse farto material, sob a ótica espírita, não hesitaríamos em identificar claras evidências de um legítimo enredo obsessivo; no entanto, assim concluiu o pesquisador: “parece ser uma possessão demoníaca, crise histero-demoniomania coletiva. Tratar-se-ia, segundo o diagnóstico proposto, de uma intrigante histeria coletiva, agravada pela fixação na figura demoníaca.(!!??...)
Em decorrência do relatório do senhor Constant, recorreu-se aos tradicionais procedimentos de expulsão demoníaca, a cargo das autoridades religiosas. Tentaram um exorcismo coletivo na igreja local, todavia, as jovens entraram em crise ostensiva simultaneamente, derrubando e quebrando o mobiliário do templo, lançando-se ao chão entre homens e crianças que, em vão, tentavam contê-las. Posteriormente, tentou-se o exorcismo em domicílio, porém não surtiu nenhum efeito.
O interessante fenômeno coletivo de Morzine fez com que Kardec solicitasse orientação específica ao Espírito São Luiz, e o mentor da Sociedade Espírita de Paris explicou o seguinte: "Os possessos de Morzine estão realmente sob a influência dos Espíritos sofredores, atraídos para aquela região por causas que conhecereis um dia, ou melhor, que vós mesmos reconhecereis um dia. O conhecimento do Espiritismo ali fará predominar a boa influência sobre a má fé, isto é, os Espíritos curadores e consoladores, atraídos pelos fluidos simpáticos, substituirão a maligna e cruel influência que desola aquela população. O Espiritismo está chamado a prestar grandes serviços. Será o curador dos males cuja causa era antes desconhecida e ante às quais a ciência continua impotente. Sondará as chagas mortais e lhes ministrará o bálsamo reparador; tornando os homens melhores, deles afastará os Espíritos doentes atraídos pelos vícios da humanidade. Se todos os homens fossem bons, os Espíritos violentos deles se afastariam porque não poderiam os induzir ao mal. A presença dos homens de bem os faz fugir. A dos homens viciosos os atrai, ao passo que se dá o contrário com os bons Espíritos. Assim, sede bons, se quiserdes ter apenas bons Espíritos em redor de vós.”(1)
Como percebemos, os fenômenos de Morzine se mostram atuais. Importa, portanto, que, diante de tão elucidativas afirmações pertinentes à temática, nos abstenhamos de responsabilizar somente os Espíritos momentaneamente imersos nas sombras por todos os dissabores e infortúnios que nos visitam a existência, reconhecendo que processo obsessivo é fenômeno de sintonia, sobretudo mental, em que ondas semelhantes se entrelaçam, fazendo com que os afins se atraiam, ainda que circunstancialmente.
Para a Doutrina Espírita, o esclarecimento dos encarnados, o amparo e consolo dos espíritos desencarnados em sofrimento poderiam acalmar as coisas em Itatira, sem maiores estardalhaços.

Fonte:
(1) Kardec, Allan. Revista Espírita, ano VI, maio de 1863, vol. 5 (mensagem ditada pelo Espírito S. Luiz através da médium sra. Costel, em reunião na SEEP);
* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.

Pela autoridade da Chama Trina em meu coração, em nome de Alfa e Omega, da Mãe Divina e do relâmpago azul do coração de Hércules, o Elohim do 1º Raio, Eu comando o Arcanjo Miguel e suas Legiões de Luz Azul Celeste, para nossa proteção aqui e agora: (faça seus pedidos e inclua familiares e amigos)




           * São Miguel  - *(3x)

Arcanjo de Deus Iluminado.
Vista-nos com uma armadura de chama azul – dourada,
Sobreponha-nos com a vossa espada azul flamejante,
Libertando-nos aqui e agora de todo o mal manifestado!  

Legiões de São Miguel à nossa frente,
Legiões de São Miguel atrás de nós,

Legiões de São Miguel à nossa direita,
Legiões de São Miguel à nossa esquerda,

Legiões de São Miguel acima de nós,
Legiões de São Miguel abaixo de nós,

* São Miguel - *(3x) e Legiões do raio azul Celeste.
* Com suas espadas e armaduras nos protejam aqui! - *(3x)

Selamento:  Que a Poderosa Presença EU SOU em mim, sele toda energia agora magnetizada, para que seja utilizada de acordo com a vontade de Deus e somente a vontade de Deus. Assim seja, em nome do Pai, da Mãe, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Em Taiwan, a fabricante de eletrônicos Foxconn "anunciou que vai contratar dois mil profissionais de saúde mental para tentar conter uma onda de suicídios em suas fábricas na China".(1) A empresa conta com 700 mil funcionários - cerca de 300 mil deles na China -, fabrica vários produtos para multinacionais, como o celular iPhone, da Apple, os consoles de games PlayStation, da Sony, Wii, da Nintendo, e Xbox, da Microsoft, e o leitor eletrônico Kindle, da Amazon.


Na França, como se não bastasse o preocupante "Dia nacional prevensão ao suicídio", a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos.

Nos EUA a Universidade de Cornell, no estado americano de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005, houve 10 casos de suicídio confirmados na Cornell.

O número de suicídios na Terra estarrece, analisemos: há dez anos foram "815.000 pessoas que cometeram suicídio. Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6) (a taxa de suicídio na Rússia é a segunda no mundo, abaixo somente da Lituânia e leste europeu), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas, e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16. Em números absolutos, porém, a República Popular da China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil (em 2008 o suicído entre os jovens bateu novo recorde no Japão)e a Alemanha com 12,5 mil." (2)

O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas. Alguns vêem o suicídio como um assunto legítimo de escolha pessoal e um direito humano (absurdamente conhecido como o "direito de morrer"), e alegam que ninguém deveria ser obrigado a sofrer contra a sua vontade, sobretudo nas condições como doenças incuráveis, doenças mentais, e idade avançada que não têm nenhuma possibilidade de melhoria. 

Nenhuma religião admite o suicídio. Essa unanimidade evidencia tratar-se de algo contrário às leis divinas. Mas , algumas seitas paranóicas fazem cultos ao suicídio, como a Ordem do Templo Solar, a Heaven's gate, a Peoples Temples e outras. Adeptos "notáveis" dessa escola de pensamento inclui o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, e o empirista escocês David Hume. 

Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas(3), em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Em verdade para os espíritas o "suicídio é o ato sumamente covarde de quem opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra alternativa de escapar".(4)

O suicida não quer matar a si próprio, mas alguma coisa que carrega dentro de si e que, sinteticamente, pode ser nominado de sentimento de culpa e vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim, o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda, profundamente. O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, a pessoa se afasta de si mesmo e de sua natureza. Sobrevive de 'aparências', para representar um 'papel social' como protagonista do meio. Nessa vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções e se esmaga na sua intimidade solitária."(5) 

Curiosamente, há casos e casos. Em incêndios de edifícios, algumas pessoas presas em andares superiores, ter pulado para a morte, ante a proximidade das chamas. Não podemos considerar essa situação como um ato suicida. Há apenas um gesto instintivo de fuga. O calor, nessa situação, é tão intenso que, literalmente, pode levar a pessoa ao estado de absoluta inconsciência. 

Situação grave que merece ser analisada é a obsessão que pode ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, pela presença perturbadora de um obsessor(encarnado ou desencarnado). Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a matar-se. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade. Até porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente ao ato , porém a decisão será sempre do autocida.

A simples idéia, repetida várias vezes, leva o indivíduo à fascinação, à subjugação, e, por fim, ao suicídio. Emmanuel adverte que o suicídio é como alguém que "pula no escuro sobre um precipício de brasas. Após o ato, sobrevêm a infeliz a sede, a fome, o frio, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos carnais, a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas."(6) Em verdade, "de todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia"(7)

Refletindo sobre a questão 945 de "O Livro dos Espíritos", que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? Os Espíritos responderam: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(8) O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, as chicotadas de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.

Na literatura espírita encontramos livros que comentam o assunto. Temos como exemplo: "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", de Yvonne A. Pereira. O mestre de Lyon , em o livro "O Céu e o Inferno" deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual e, especificamente, no capítulo V, da Segunda parte, onde aborda a questão dos suicidas.

Quando um indivíduo perde a capacidade de se amar, quando a auto-estima está debilitada, passa a ter dificuldade de manter a saúde física, psíquica e somática. André Luiz explica que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente em atingindo as células nervosas"(9) 

O mais grave é que o suicida acarreta danos ao seu perispírito. Quando reencarnar, além de enfrentar os velhos problemas ainda não solucionados, verá acrescida a necessidade de reajustar a sua lesão perispiritual. Portanto, adiar dívida significa reencontrá-la mais tarde, com juros cuidadosamente calculados e cobrados, sem moratória. A questão 920, do Livro Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores.(10) 

Ante o impositivo da Lei da fraternidade, devemos orar pelos nossos irmãos que deram fim às suas vidas, compadecendo-nos de suas angústias, sem condená-los. Até porque, todos os suicidas, sem exceção, lamentam o ato praticado e são acordes na informação de que somente a oração em seu favor aliviam as atrozes dores conscienciais em que se encontram e que lhes parecem eternas. 



FONTES:
(1) Cf. informa a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post
(2) Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio
(3) Anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno
(4) Franco, Divaldo, Momentos de Iluminação, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, RJ: ed. FEB
(5) Durkheim, Emile. Título: El suicidio. P.imprenta: Tlahuapan, Puebla. Premiá. 1987. 343 p. Edición; 2a ed. Descriptores: Suicidio. Sociología. Aspectos psicológicos
(6) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis Do Amor, ditado pelo espírito Emmanuel, Ed. FEESP, 1970
(7) Xavier, Francisco Cândido, O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel RJ: Ed. FEB - 13ª edição pergunta 154
(8) Kardec , Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945
(9) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003
(10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920
Henrique Fracalanza
A Obsessão é um dos graves problemas que infelicitam a humanidade.
Ela pode afetar a qualquer um, em qualquer lugar do planeta.
Quando consegue atingir suas vítimas produz estragos sem conta.



Mas o que é a Obsessão?
Na doutrina espírita denominamos obsessão a toda influencia maléfica exercida por um espírito sobre um encarnado, ou exercida por um encarnado sobre um espírito, um encarnado sobre outro encarnado, e finalmente um espírito sobre outro espírito.
No presente exame vamos nos ater somente a obsessão de um espírito sobre um encarnado, porque é a forma que nos interessa de perto e não é diagnosticável pela ciência médica terrena.
Essa obsessão é difícil de ser percebida dado que o espírito é invisível para o encarnado e para as demais pessoas que são procuradas para auxiliá-lo. Daí a dificuldade de ser combatida.
A obsessão se dá quando um espírito por alguma razão busca prejudicar o encarnado. Os motivos podem ser os mais variados, mas os mais comuns são: ódio e vingança, ciúme, despeito, trabalhos de magia, vampirização, e atração por afinidade vibratória.

As motivadas pelo ódio são, obviamente, as reações de parte de quem sofreu agressões. A pessoa que sofre um malefício, uma agressão ou maldade e não perdoa o agressor, pode voltar-se contra ele buscando vingança. Esta obsessão é pérfida porque o obsessor escondido em sua invisibilidade pode atuar com liberdade junto ao encarnado pelo tempo que quiser. Assim ele procura insuflar pensamentos que visam perturbar o encarnado, podendo levá-lo a desesperação, depressão, confusão mental, doenças e até a morte. A par com a irradiação de pensamentos ruins e forças magnéticas constritoras, a sua proximidade causa penosa impressão no encarnado que lhe sente as emanações de ódio.
O processo de obsessão tem muitas facetas e formas de ser implantado, mas um dos recursos cruéis usados pelos obsessores é colocar junto ao encarnado, imantado a ele, um espírito infeliz, geralmente dementado, para manter o obsediado em permanente estado depressivo.
Quanto às obsessões causadas pelo ciúme, dão-se quando uma pessoa desencarnada não consegue se afastar da pessoa a quem ama, e se lança contra aqueles que dele ou dela se aproximam para um relacionamento. De outras vezes é quando o desencarnado vê que o seu amor que ficou aqui na Terra não se mantêm fiel “até a morte” como ele (ou ela) desejaria, e lança-se contra o seu antigo amor cobrando fidelidade. Ainda pode ocorrer que um espírito reencontra um ser amado após muito tempo, séculos, e que não se conforma de ver que o outro (ou a outra) segue sua vida, com outro amor. Estes são apenas alguns exemplos de casos de obsessão causados por ciúme, mas muitas outras formas podem existir na manifestação deste vicio moral que nos institue como “donos” daqueles a quem amamos.
A obsessão causada pelo despeito é quando um desencarnado não suportando ver o sucesso de alguém, moído de inveja lança-se contra o encarnado visando derrubá-lo de sua atual situação. Seja por motivo de sucesso financeiro, seja de uma conquista amorosa, ou por uma posição de destaque ou poder, e até do sucesso que alguém faz na conquista da sua elevação moral e espiritual.
A obsessão causada por “trabalhos de magia”, são os ataques de espíritos que foram requisitados por outros – geralmente encarnados – mediante pagamento, para perturbar algum encarnado. O objetivo pode ser para afastar um concorrente do seu caminho na conquista de uma promoção no emprego, na concorrência de negocios, na conquista de um amor, ou qualquer outro motivo em que uma pessoa deseja o que outro tem ou que poderá obter em seu lugar. Às vezes também é somente para fazer alguma maldade a alguém de quem não se goste.
Quanto a vampirização, trata-se da obsessão de um desencarnado sobre um encarnado que busca se aproveitar do vicio deste para satisfazer as suas paixões, visto que não tendo corpo físico, não tem como desfrutá-los senão por intermédio de uma ligação mental com uma pessoa encarnada. Assim, aqueles encarnados que se comprazem no consumo do álcool, da gula, das drogas, do fumo, do vicio do jogo, da maledicência, do sexo desregrado ou desnaturado, taras, e de qualquer outro desvio de comportamento que interesse a um desencarnado, pode considerar-se como potencial vitima de uma vampirização. Mas o que é isso? Vampirização é quando um desencarnado liga-se a um encarnado através dos seus fios mentais, quase que numa incorporação mediúnica. O desencarnado, por desejar cada vez mais locupletar-se, procura induzir o encarnado mais profundamente no vicio, levando-o muitas vezes a graves viciações que poderão redundar em perigosas enfermidades e até na morte.
E por fim, a obsessão por afinidade vibratória é quando uma pessoa vibrando negativamente por qualquer motivo, atrai por semelhança vibracional espíritos na mesma faixa de sintonia. Assim, como uma pessoa muito lamurienta e queixosa, que vive a dizer que é a ultima das criaturas, a mais sofrida, etc. poderá atrair espíritos que pensam da mesma maneira agravando um o estado do outro por uma simbiose nefasta. Outros que desconfiam sistematicamente do próximo, ou pensam sempre o pior das outras pessoas, tem comportamento raivoso e irado, impaciência crônica, crêem-se melhor do que os outros, querem mandar em tudo e em todos, que procuram trabalhos de magia, etc., podem atrair espíritos que concordam com sua forma de ser e sentindo-se bem ao lado desses encarnados, passam sem querer a ser seus obsessores involuntários, apoiando suas ações, num conúbio prejudicial a ambos.
O processo obsessivo é uma nefasta influencia que começa devagar e vai se consolidando na medida em que o encarnado não lhe opõe resistência, ou não busca socorro.
As pessoas que ouvem falar sobre a obsessão pela primeira vez, costumam se perguntar por que simplesmente o encarnado não repele o obsessor, ou porque Deus permite que tal violência seja cometida. Na verdade, o encarnado tem dificuldade de rechaçar tal influencia pelos seguintes motivos: no caso de vingança, ele tem a consciência pesada pelo crime que cometeu. Vê na pessoa do seu atual verdugo, a sua vitima do passado que vem cobrar desforra, e seu sentimento de culpa lhe dificulta ignora-lo e se afastar de sua perseguição. Em momentos do sono noturno, quando o espírito pode se afastar um pouco do corpo físico, o encarnado entra em contato com o mundo espiritual, e vê o seu obsessor cara a cara, sentindo muitas vezes extremo pavor, sendo isto causa de maior infortúnio e sofrimento.
Nos casos de ciúme é porque a vitima de qualquer forma tem uma ligação anterior com o obsessor e a dificuldade em afasta-lo(a) é a mesma que uma pessoa tem de afastar um assédio deste tipo aqui na Terra, com o agravante de que quem assedia está invisível.
Por despeito e trabalhos de magia, a dificuldade de se auto proteger reside simplesmente na invisibilidade do obsessor e no desconhecimento da maioria das pessoas sobre esses assuntos, o que as leva a atribuírem o desconforto a causas terrenas, e assim não combatem ou reagem contra a verdadeira causa de seus males.
Nos casos de vampirização, o desvio de conduta parte antes do próprio encarnado, que pelas suas preferências e ações atrai os espíritos que acabam por incomoda-lo(a) ou obsedia-lo(a).
Nos casos de afinidade vibratória, novamente a atração parte dos encarnados e a presença de espíritos perturbadores é mera conseqüência de sua forma de ser ou de agir.
E quanto à outra indagação – porque Deus permite – não é que Deus permita ou não tal maldade, é porque simplesmente a Lei de Causa e Efeito está se manifestando. A lei foi instituída por Deus e visa guiar-nos para a evolução, dando a cada um o fruto de seus atos. Como as criaturas ainda não aprenderam a comportar-se somente na diretriz do bem, e cometem faltas contra o próximo e contra si mesmas, colhem naturalmente as conseqüências de seus atos, e isso pode significar a presença de obsessores influenciando estes resgates ou desvios de comportamento. Portanto, não é uma sentença divina, mas reação natural a uma ação atual ou pregressa. Não se trata de Deus permitir ou não, mas simplesmente o resultado natural da nossa imprevidência.
Mas se é assim, por que se procura afastar o obsessor, já que ele está de certa forma cumprindo a lei de reação? Por três motivos muito importantes.
Primeiro: para evitar que o mal se perpetue. Quando um se vinga, pode induzir o outro a se vingar por sua vez, e mais adiante este um se vingará de novo do outro, que mais a frente se vingara do um, num moto continuo que só se desfazerá no dia que um deles vier a perdoar.
Segundo: para livrar o obsessor de penas futuras, pois o ato de vingança ou assedio não tem justificativa e gera um novo carma que deverá ser resgatado. Então, nos casos de vingança, aquele que se vinga porque sofreu – sofrimento este que serviu para resgatar um debito do seu passado – estará criando um novo debito para si mesmo no futuro. E nos outros casos porque qualquer perturbação que se faz aos outros ser-nos-a causa de sofrimentos no futuro.
Terceiro: para que o resgate ou aprendizado do encarnado se cumpra de forma natural, e não induzida por um espírito.
O espírito que busca vingança está agindo incorretamente, pois está querendo fazer justiça pelas próprias mãos. A ninguém é dado tomar a justiça de Deus em suas mãos. Nem na lei terrena se admite isso. O homem aqui na Terra não pode se vingar do seu adversário. Ele pode somente denuncia-lo as autoridades para que a lei dos homens aja e se faça a justiça. Também na lei de Deus é assim.
E os espíritos que perturbam os encarnados sob qualquer pretexto estão na verdade perturbando a ordem das coisas e sofrerão as conseqüências.
Mas como lutar contra este terrível mal que é a Obsessão?    
A medicina e a psicologia terrena não conseguem ajudar, porque desconhecem a parte espiritual do problema. Ou seja, desconhecem a verdadeira causa. Tratando desses obsidiados como doentes comuns conseguem apenas classifica-los nas patologias mentais corriqueiras, tratando-os com medicamentos calmantes ou anti-ansioliticos, quando não terminam por interná-los em clinicas psiquiátricas. Em outras palavras, nada conseguem fazer.
O caminho mais adequado para se obter a cura desse mal é através da identificação da sua verdadeira causa, e do tratamento conveniente dessa causa. Para identificá-lo e trata-lo é necessário conhecer-se o mundo espiritual na sua verdadeira expressão, e sabemos que atualmente somente a Doutrina Espírita esclarece como é o mundo espiritual e suas manifestações. Portanto, somente numa casa espírita poderá um obsediado encontrar o adequado tratamento.
Assim, caso você sinta um desconforto renitente e não identifique o porque, desconfie de uma obsessão. Caso se defronte com um caso similar em um familiar ou em um amigo, ou em si mesmo, não vacile! Procure o mais rapidamente possível o socorro numa casa espírita, sabendo que a obsessão se torna mais grave com o passar do tempo e, portanto fica mais difícil de ser tratada, como qualquer doença.
Jorge Hessen
jorgehessen.net
O racismo é um tema pouco abordado nas hostes doutrinárias. A bibliografia é escassa. Os escritores e estudiosos espíritas brasileiros ainda não se debruçaram com maior profundidade sobre o assunto. Para alguns, as poucas análises sobre a questão do segregacionismo e da escravidão do negro, no Espiritismo deixam transparecer as influências da teoria arianista(1), da visão positivista e idealista da história, desconsiderando os fatos nos seus relativismos e contradições.


Para a investigação kardequiana, a respeito do negro, torna necessário ser considerado o contexto histórico em que foi discutida a temática. Incidiria em erro, sob o ponto de vista histórico, considerar Allan Kardec contaminado de preconceitos ou de índole racista. Essa palavra detém uma carga semântica muito forte, inadequada para definir os ideais do mestre lionês. Não há nenhum indício de que ele tenha discriminado algum indivíduo ou grupo de origem negra ou quaisquer indivíduos, sejam no movimento espírita ou fora dele. A jornalista Dora Incontri, com mestrado e doutorado em Educação, pela USP, em seu livro Para entender Kardec, nos trás um fato interessante que muito bem nos dará uma idéia de quem era o senhor Rivail. Vejamos: “É bom lembrar que, na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, havia um Camille Flammarion, astrônomo, e um calceteiro (operário braçal que fazia as calçadas de Paris, de quem Kardec noticia a morte) e ambos eram membros da Sociedade“.
Os contraditores de Kardec se valem de textos insertos na Revista Espírita e principalmente em Obras Póstumas, 1ª parte, capítulo da “Teoria da Beleza”. A rigor não consideramos essa teoria um ponto doutrinário e muito menos consta das Obras Básicas. Trata-se de uma pesquisa de Kardec que não chegou a publicá-la. Veio a público após o seu desencarne, quando algumas anotações deixadas foram reunidas no livro citado, donde se infere que aquele pensamento ainda não estava perfeitamente consolidado. Por justeza de razões importa lembrar que Kardec não compilou o Espiritismo em seu próprio nome. Ele atribuía a Doutrina como sendo dos Espíritos. Destarte, urge se faça distinção entre o que revelaram os Benfeitores Espirituais sob o princípio do consenso universal dos Espíritos e o que escreveu e pensava particularmente Kardec, inclusive na Revista Espírita.

No bojo da literatura basilar da Terceira Revelação, o Codificador ressalta que, “na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade.“(2) Ante os ditames da pluralidade das existências, ainda segundo Kardec “enfraquecem-se os preconceitos de raça, os povos entram a considerar-se membros de uma grande família.”(3) Como se observa, idéias essas que descaracterizam radicalmente um Kardec preconceituoso. Entretanto, apesar da atitude (para alguns preconceituosas) atribuída a Kardec em relação ao negro, fruto do contexto em que viveu (repetimos) sobre discriminação e preconceito a determinada etnia, sua obra sai indene de todas as críticas no sentido ético. Até porque para abordagem do tema é imprescindível contextualizá-lo de acordo com teorias de superioridade racial muito em voga na época. A frenologia, por exemplo, advogava uma relação entre a inteligência e a força dos instintos em um indivíduo com suas proporções cranianas. Uma espécie de “desdobramento” pseudocientífico da fisiognomonia. Num artigo na Revista Espírita de abril de 1862, “Frenologia espiritualista e espírita – Perfectibilidade da raça negra”, Kardec faz uma espécie de releitura dessa “ciência” com um enfoque espiritualista, demonstrando que o “atraso” dos negros não se deveria a causas biológicas, mas por seus espíritos encarnados ainda serem relativamente jovens.(4)
Indagamos: existem povos mais adiantados que outros? É possível desconhecer a discrepância entre silvícolas e citadinos? Se não é a diferença da evolução espiritual, o que os torna desiguais, então? É evidente que podemos adequar as terminologias para culturas “complexas ou simples” no lugar de “avançado ou atrasados”, o que na essência não altera a situação de ambos. Sabemos também (isso é incontestável) que a antropologia e a sociologia surgem eurocêntricas. E a antropologia foi uma espécie de sociologia criada para estudar os povos primitivos.(5) Contudo, a Doutrina Espírita tem mais amplitude do que toda essa questão. Para nós “não há muitas espécies de homens, há tão somente cujos espíritos estão mais ou menos atrasado, porém, todos suscetíveis de progredir pela reencarnação. Não é este princípio mais conforme à justiça de Deus?“(6)·
No livro Renúncia, monumental obra da literatura mediúnica, identificamos trecho que nos chamou a atenção para reflexão sobre o assunto. Robbie, filho de escravos e irmão adotivo de Alcione, ao desencarnar disse-lhe “desde que mandei os gendarmes(7) libertar o cocheiro, por entender que me cabia a culpa (…) sinto que não tenho mais a pele negra, que tenho a mão e a perna curadas (…) veja Alcione (…) e esta lhe explica: São estas as provas redentoras, meu querido Robbie! Deus te restitui a saúde da alma, por te considerar novamente digno.“(8) Dá para imaginar o Espírito Alcíone racista?
E por que teriam os negros sofridos tanto com a escravidão? Segundo Humberto de Campos os escravos seriam “os antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências polutas“.(9)
A concepção de que o homem possa encarnar na condição de branco, negro, mulato ou índio, estabelece uma ruptura com o preconceito e a discriminação raciais. Não esqueçamos, porém, que na Grã-Bretanha, ainda hoje, muitos adeptos do Neo-espiritualismo rejeitam a tese da reencarnação, por não admitirem a possibilidade de terem tido encarnações em posições inferiores quanto à raça e à condição social. Com essa visão, um Espírito, reencarnado num corpo de origem negra, estará sujeito à discriminação e isso lhe será uma condição, uma contingência evolutiva a ser superada. Para uns pode ser uma expiação, para outros uma missão.
Com os princípios espíritas se “apaga naturalmente toda a distinção estabelecida entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor“.(10) Como se observa, uma doutrina libertária como o Espiritismo, não compactua, sob quaisquer pretextos, com nenhuma ideologia que vise a discriminação étnica entre os grupos sociais.
A verdade é que nos grandes debates de cunho sociológico, antropológico, filosófico, psicológico etc, o Espiritismo provocará a maior revolução histórica no pensamento humano, conforme está inscrito nas questões 798 e 799 de O Livro dos Espíritos, sobretudo, quando ocupar o lugar que lhe é devido na cultura e conhecimento humanos, pois seus preceitos morais advertirão aos homens a urgente solidariedade que os há de unir como irmãos, apontando, por sua vez, que o progresso intelecto-moral na vida de todos os Espíritos é lei universal, tomando, por modelo, Jesus, que ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar.(11)

Fontes

01 – Entre os teóricos do racismo alemão, dizia-se dos europeus de raça supostamente pura, descendentes dos árias.
02 – A Gênese, pág. 31.
03 – A Gênese, págs. 415-416
04 – Revista Espírita de abril de 1862.
05 – Primitivo era todo aquele povo que não havia chegado ao grau de cultura e tecnologia do europeu. Sem dúvida que era uma visão do europeu da época, que considerava os negros e os latinos selvagens.
06 – O Livro dos Espíritos, Capítulo V, item 6º.
07 – Soldado da força incumbida de velar pela segurança e ordem pública, na França.
08 – Renúncia, de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, pág. 412.
09 – Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho, de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Humberto de Campos.
10 – Revista Espírita de abril de 1861.
11 – O Livro dos Espíritos, Parte 3ª, q. 798 e 799, cap. VIII item VI – Influência do Espiritismo no Progresso.